sábado, 8 de agosto de 2015

conto veloz de OUTONO



Um boteco da Rebouças e um outro no baixo Augusta
Você não disse nada e quis ficar perto
                

Meu copo de cerveja é o mesmo que o seu

A tua orelha é minha boca num beijo lento
E a tua boca e língua molhadas depois de um gole de cerveja (no nosso copo) vêm feito nave procurando pouso.

Eu me afasto,
Acendo outro cigarro e fico reparando teu brinco.
Enquanto você segura a minha mão e olha pra onde eu não sei.

No momento eu até imaginei que você tenha contemplado o NADA

Só imaginei isto porque o NADA é tão atraente quanto o brinco que você tem na parte superior da orelha

Um clima de calmaria, como se fôssemos cais e velhas companhias um do outro,

Naquele momento, não era necessário dizer nada
Pedir nada;
Se despedir ou falar pra ficar um pouco mais
Isso seria um tiro no vitral daquele momento
Instantes que boiavam no lago dos desejos tranquilos
O único ato cabível de minha parte era
Apenas apoiar tua cabeça no meu ombro
Com a impressão de que não existia tempo capaz de correr
Enquanto sua atitude era a de fechar os olhos e vira-se querendo mais um beijo
Como se quisesse ter certeza de que ficaria ali presente
                                                                                                                                   

...Era tudo calmo, inclusive os teus olhos de sono.

sábado, 8 de novembro de 2014

Não crie dinossauros ou qualquer outro animal que seja maior que seu quintal

MEU rosto de juvenil quando, eu concentrado, vejo a língua dela tocando os dentes enquanto ela pronuncia o "S", toda a importância das coisas que são de fato importantes como: um emprego, um aluguel barato, deus, o caos, a família, o brasileirão, o cigarro antes de dormir ... enfim, coisa de gente séria como eu, acabam em nada. 




 -ESSAS COISAS VIRAM NADA OU QUASE NADA QUANDO: a língua dela toca devagar os (grandes e pouco tortos) para a pronúncia do "S".

É uma imagem, um flash que me pinica por umas meia horinha enquanto tamo conversando. 

Depois dessa pausa no mundo eu olho o olho, o cabelo, o ombro, os braços, as sardas e finjo como um monólito rude e sujo de terra, finjo como quem que olha o vazio da praça, como quem vê uma bunda qualquer, como quem houve um barulho do nada e vira o pescoço pra ver o que foi, finjo como se estivesse odiando estar ali... e os dentes, língua e o som do "S" dos diabos na minha frente.  
Eu tenho uma destreza/aspereza natural por saber passar por pessoas/tempos como esses, os tais são bichos de força que morde(m) e mata(m)...  e eu já sei do risco menina.

 DELA, o olho(S) e a língua  se vestem de bêbados felizes me tentando à festa, digo "olho" (sing.) porque só basta um pra eu perder uns 9 ou vinte segundos mirando e franzindo testa num estado de ingenuidade que não é o meu natural.

Propositalmente à tarde, eu "me deixo" se perder olhando sardas, boca, olho, língua, ombro, (volto) sardas, língua, olho, dentes tortos ..., é um salto num colchão de estrelas onde se  P   O   D   E   P   A   U   S   A   R  os riscos e os males enquanto a vida corre. 

TEMO pelo meu equilíbrio de fingidor acerca da boca, lingua, dente, ÉSSES, sardas e cabelos, pelo meu controle das rédias das coisas que aumentam, temo que o caldo engrosse pro meu lado.

REZO pra Mayakovski me dar a sabedoria das loucuras do "ser todo coração" porque quero sair vivo no final.

sábado, 13 de outubro de 2012

A tarde que dançava.

Era aquela tarde quente, verde e azul
Uma dessas que costumam chegar com gosto de saudade,
Uma dessas que tem hálito de amanhã,
Uma dessas com voz de silêncio e rosto de morena,
Uma dessa tardes que usam vestidos com estampas coloridas,
E anda como se dançasse uma melodia de Caymmi,
Eu estava dentro dela, percebendo cores, variações, tons bemóis... como se assistisse a um filme,
O sereno do ibisco e um bem-te-vi também a compuseram,
e a compuseram também:
O quarto do fim da rua e a janela que servia de moldura pra ela.







segunda-feira, 21 de maio de 2012

Flor do maracujá, vícios e memórias vespertinas

Um café de lucidez,
Um chá, nada mais.
Uma janela pro poer,
Um sofá com silêncio,
Uma estante de memórias,
Um relógio de parede (parado),
Um lustre de avisos,
Ecos de alguns velhos conselhos,
Echos de  Guriatans,
Delays de Curiós,
Chorus Sabiás nas sábias algarobas
E o nylon do Di Giorgio,
Uma nativa Passiflora com a pureza do saber amar sem frescuras,
Uma nativa Passiflora com rosto de brilho das águas do açude,
Uma nativa Passiflora doce ...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Por que dizemos "Eu te amo porra"








Antes de qualquer coisa ou letra; " O amor não é um tolo, é um ser irritante, desordeiro e safado..."
O seu grassante efeito de me reduzir ao outro
Me deixa estúpido e impaciente comigo mesmo
De vezes e mais vezes me oposicionei, tentei ser óbvio, pragmático e sacana,
Mas... descobri que o tal desprezível, torpe e vil era de fato um cabra fuleiro: óbvio e sacana em damasia
Foi com sincera irresolução que caí em idéias e teorismos sobre o amor,

o Desgraçado talvez seja:

a pura e inexplicável complementação do sexo,
a necessidade do ciúmes
a carência dos afagos e discussões
a vontade de assistir novela com o outro do lado
a imprescidível sensação de sentir-se dono e propriedade
a míngua do calor na cama
a falta de tudo, o tédio...
a dependência nata do "Eu humano" (não-pleno)
a antítese do medo
um espelho nítido da nossa alma pervertida

ah... O absurdo talvez.

sem dúvida, o "Miserável" é o absurdo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pela ótica da felicidade


Melancólico eu...?
"A vida é apenas um rastro"


A princípio, me pareceu sorumbática e deprimente essa resolução, no entanto, de um confuso modo, essa afirmação traz um viés de felicidade.
Obliquamente essa idéia me apresenta a vida de uma maneira irresponsável, racional, amorosa, fácil...

e me obriga  a pensar que o viver ( desgastante às vezes ) é naturalmente um elemento favorável à liberdade.
( amorosa ) amor meus caros, até hoje é a única coisa que nos mantêm rindo e bebendo pelas noites a dentro.

O homem ainda é o mesmo cabaço de outrora


"É de ficar de queixo caído com a sensibilidade das coelhinhas " – Pensei.


De alguns dias pra este, eu, um exemplar perfeito do gênero masculino (homo sapiens) combatente ferrenho da monogamia piegas, tive que reeditar (um diálogo latente, que me cutuca desde os meus 14 anos de vida) meus conceitos (preconceitos) sobre um questionamento demasiadamente complexo que envolve machos e fêmeas, e até hoje perpetua-se na cultura ocidental numa forma poética e quase que divina para nós humanos machos.

"O Romance" - é essa a embalagem mais conhecida da relação entre homem e mulher.

Ao passo que vamos debulhar o assunto referido, veremos que o ser masculino por increça que parível se deixa resumir pelo desejo de apenas uma mulher (o que não significa que o caboclo não possa dar amor ou desejar também outra(s) costela(s) de Adão) e pela idéia ilusória de que a Mariazinha, por ter um aspecto suave e recatado é um ser incapaz de traí-lo ou renegá-lo.

Apesar do prólogo acima parecer óbvio, ele condiz exatamente com nosso subconsciente de homem da idade média, extremamente participativo em nosso comportamento atual.

Outro dia em um bar numa festa fui testemunha do que vos escrevo, havia na ocasião um nobre colega representante da classe dos machos normais ( amante de cerveja, mulher, mais mulheres ainda..., prostíbulos,...) ou seja, um cara comum. No início, o caro colega cortejava sua prenda preferida dando-lhe rosas e promessas de quarto de motel, e entre uma rosa e outra um drink para aflorar a paixão e tornar a frígida conversa mais libidinosa, e eis que, após algumas tequilas e dois míseros copos de chopp o caro colega tornou-se apenas um pobre animal indefeso perante a truculência dos seres femininos.

O rapaz (BÊBADO) ainda tentava FICAR DE PÉ e galantear sua Julieta amada, neste instante aparece do nada uma enorme fêmea predadora que em poucos segundos dominou o já alcoolizado amigo e foi dando beijos dignos de finais de novelas, isso tudo ocorria bem nas fuças da outra que até a alguns minutos recebia rosas e cantadas.

“Elas são extremamente rápidas, assemelham-se a leoas ardilosa, sequer possuem algum  fair play quando o assunto é caçar machos” – Pensei.

...Depois de alguns ósculos calientes e outros copos, a voraz caçadora estava já com uma outra presa em suas fortes garras saciando-se...

-Fecho essa piléria voltando ao prólogo, e afirmo:

 -O homem é antes de tudo um indefeso picareta, frágil, redutível e exacerbadamente passional por natureza e instinto, diferentemente do ser feminino que antes tudo usa, “apenas usa” a carapuça de delicadeza e candura sendo de fato um ser metódico, frio e calculista no campo do romance.